Viagem Cultural

Dicas e opiniões sobre assuntos diversos.

RAÍZES

Raízes que crescem através do tempo,

De forma apical ou ramificada

Sugam da terra mãe o essencial:

Água e sais minerais…

Raízes que vivem na função de viver,

Resistem aos reagentes naturais,

Sol, chuva, vento, dia e noite;

Além do peso maciço da estrutura

Caule, tronco, folhas e flores…

Raízes que vivem…

Negras raízes do continente africano,

Raças rígidas como a natureza,

Desconhecidas da penicilina e antibióticos.

Raízes dos filhos da noite, batizados pela lua

E pelo esplendor das estrelas…

Pele escura, alma pura,

Filhos do sol noturno…

Tenazes raízes do bloco oriental,

Raças que lutam e se crucificam;

Pintando de vermelho sua existência

Filhos do trabalho e da terra,

Irmãos do machado, da foice, do arado…

Viver pela nação, liberdade por condição…

Raízes da insistência…

Velhas raízes europeias,

Fertilizados no útero dos iluministas,

Berço da democracia utopia…

Acasalados pela necessidade da vida

Procriam as belas artes, a música, a vida.

Raízes de mãos calejadas…

Desejadas raízes da América do norte,

Raças das juventudes transviadas…

Da evolução que não mede o tempo,

Do tempo que não para ao viver.

Amaldiçoado o preconceito racista

Figurado no jogo dos opostos.

Onde o branco e preto não são palpáveis…

Raízes das contradições.

Benditas raízes de nossa américa,

Raças exploradas e submetidas…

Ritimadas como máquinas produtoras

Fazem de suas vidas um carrocel,

Que sempre volta a sua origem…

Pobres fornecedores ricos,

Raízes dos colonizados…

Gloriosas raízes dos antepassados,

Raças projetoras da história:

Einstein, Engels, Freud e Von Braun,

Hitler, Lenin, Luther King e Lutero,

Max, Mussolini, e Stalin…

Raízes de personagens que lutaram

Para que hoje se conte uma história.

Raízes dos mitos…

Raízes da esperança aqui entre nós…

Figuradas no dia a dia de cada pessoa

Surgem novos pretextos para o amanhã…

Raízes de uma nova história??

O futuro há de vir…

PEDRO DE ALCÂNTARA AMORIM DE SOUZA

14/04/2012 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | 1 Comentário

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 26.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 10 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

01/01/2012 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | Deixe um comentário

CEGUEIRA D’ ALMA

CEGO É AQUELE QUE SÓ PODE VER O ÓBVIO,

QUE NÃO SE AVENTURA EM TIRAR O CABRESTO.

AQUELE QUE SÓ VÊ O SUPERFICIAL,

QUE ACREDITA EM COINCIDÊNCIAS…

E QUE NÃO PERCEBE O QUE ESTÁ NAS ENTRELINHAS DA VIDA.

BEM AVENTURADO AQUELE QUE ENXERGA O PERFUME DAS ROSAS,

A BRISA CÁLIDA DE UMA NOITE DE VERÃO

OU O SOM DO SILÊNCIO QUE VEM DO CORAÇÃO.

Flávia C. Ruivo


22/12/2011 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | | Deixe um comentário

LEI

O que é preciso é entender a solidão!
O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga
que leva os mortos.

O que é preciso é esperar pela estrela
que ainda não está completa.

O que é preciso é que os olhos sejam cristal sem névoa,
e os lábios de ouro puro.

O que é preciso é que a alma vá e venha;
e ouça a notícia do tempo,
e. entre os assombros da vida e da morte,
estenda suas diáfanas asas,
isenta por igual.
de desejo e de desespero.

Cecília Meireles, in ‘Poemas (1954)’

02/11/2011 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | , | Deixe um comentário

ALMAS PERFUMADAS

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente
no balanço de uma rede que dança gostoso
numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente
comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente
chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril,
mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava e encontrava
o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos
acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha
que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando
um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia
do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe
que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atração
que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra
que no instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe
como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.

CUIDE BEM DE SEU AMOR, SEJA QUEM FOR!

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

23/12/2010 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | , , , | 1 Comentário

INFERNO NACIONAL

Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. Ao morrer nem conversou: foi direto para o Inferno. Em lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou:

Qual é o lance aqui?

Satanás explicou que o Inferno estava em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrativo pelo seu país de origem. Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu departamento.

Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no Departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime.

- Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de 200 graus.
Na parte da tarde: ficar numa geladeira de 100 graus abaixo de zero até às três horas, e voltar ao forno de 200 graus.

O falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que tudo era igual: a divisão em departamentos era apenas para facilitar o serviço no Inferno, mas em todo o lugar o regime era o mesmo: quinhentas chibatadas pela manhã, forno de 200 graus durante o dia e geladeira de 100 graus abaixo de zero, pela tarde.

O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento escrito na porta: Brasil. E notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. Pensou com suas chaminhas: “Aqui tem peixe por debaixo do angu”.
Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção, disse baixinho:

Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de 35 graus por dia.

E as quinhentas chibatadas? perguntou o falecido.

Ah… o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora.

“Fiquei impressionada… como um texto antigo pode ser tão atual, esse continua sendo o retrato do nosso Brasil”.



Sérgio Marcus Rangel Porto
Nasceu no Rio de Janeiro em 1923 e faleceu nesta mesma cidade em 1968.
Cronista, humorista, jornalista. Estudou arquitetura até o terceiro ano, mas abandonou o curso para dedicar-se ao jornalismo, profissão que exerceu paralelamente ao emprego de bancário no Banco do Brasil, onde permaneceu entre os anos de 1942 e 1965.
Comentarista esportivo e repórter policial, a partir de 1949 iniciou intensa atividade jornalística em periódicos como Tribuna de Imprensa, Diário da Noite, O Jornal, A Carapuça e revistas como Manchete, Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Mundo Ilustrado, entre outras. No jornal Diário Carioca assume, em 1951, o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, homenagem ao personagem Serafim Ponte Grande, do escritor Oswald de Andrade (1890 – 1954).
Durante sua vida, além de cronista e autor satírico, dedicou-se a atividades muito variadas, como comentarista esportivo e redator humorístico nas rádios Mayrink Veiga e Guanabara, no Rio de Janeiro; apresentador, redator e locutor em programas de televisão; roteirista de chanchadas.
Alcançou sucesso editorial com os três volumes de Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País), título que parodia o uso de siglas pela ditadura militar, publicados em 1966, 1967 e 1968.

 

 

 

14/08/2010 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | , , | Deixe um comentário

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

18/07/2010 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | , | Deixe um comentário

NA ILHA POR VEZES HABITADA

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
 
José Saramago
 
 

                                                                               

19/06/2010 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | , | Deixe um comentário

CANTEIROS

“Quando penso em você fecho os olhos de saudade

Tenho tido muita coisa, menos a felicidade

Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento

Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento

Pode ser até amanhã, cedo claro feito dia

mas nada do que me dizem me faz sentir alegria

Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa

Para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza

Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza

E deixemos de coisa, cuidemos da vida,

Pois se não chega a morte ou coisa parecida

E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.”

Cecília Meireles

05/05/2010 Publicado por | Poema, Poesia & Cia | , , | Deixe um comentário

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Você sabia que no dia 15 de julho é comemorado o Dia Internacional do Homem? Eu mesma fiquei sabendo a pouco tempo, por que será?

Durante o século XX a mulher alcançou direitos consideráveis, onde talvez naquele momento houvessem motivos para se comemorar algo.

Nos dias atuais, acredito que o dia 8 de março serve mais para vender flores, caixas de bombons e outros pequenos mimos, porque a realidade da mulher de uma forma geral e da brasileira não é nada satisfatória:

  • É alto o índice de crimes passionais cometidos contra a mulher;
  • Desempenhando a mesma função no trabalho, ganha cerca de 30% ou 40% menos do que os homens;
  • Vive em uma sociedade machista e hipócrita, quando toma cercas atitudes “ditas como masculinas”, sofre as conseqüências sendo discriminada em sociedade;
  • Apanha e se cala porque muitas vezes tem medo do companheiro porque sabe que as autoridades não podem lhe dar a segurança necessária para resguardar sua vida e de seus filhos, haja vista o número de casos de violência contra a mulher que ficam na impunidade;
  • A violência doméstica contra a mulher muitas vezes começa quando ela ainda é uma menina, sendo estuprada pelo pai, padrasto, avô, etc.;
  • Tráfico internacional de mulheres para a prostituição;
  • Assédio sexual no trabalho, entre outros.

Por tantos motivos citados acredito que hoje o que resta é indignação, penso que ser mulher no Brasil não é tarefa nada fácil, porém, imagino que a situação seja muito pior se esta for negra, nordestina e pobre.

Esse lindo poema é homenagem singela para todas as mulheres que lutam por dignidade, liberdade e igualdade.

Meu Nome é Mulher

Meu nome é mulher
No princípio eu era Eva
Nascida para a felicidade de Adão
E meu paraíso tornou-se trevas
Porque ousei libertação.

Mais tarde fui MARIA
Meu pecado remiria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isto não bastaria
Para eu encontrar perdão!

Passei a ser AMÉLIA
A mulher de verdade
Para a sociedade.
Não tinha a menor vaidade,
Mas sonhava com igualdade.

Muito tempo depois decidi:
não dá mais.
Quero a minha dignidade,
Tenho meus ideais!
Mas o preconceito atroz
Meus 129 nomes queimou.
Então, o mundo acordou
Diante da chama lilás!

Hoje, não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família,
Sou ourives, taxista, piloto de avião,
Policial feminina, operária de construção!
Ao mundo peço licença,
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
O meu nome é MULHER!

Autora: “Pérola Neggra”
Sd Fem PM Fátima Aparecida Santos de Souza, do 30º BPM/
MAUÁ .S.P.

07/03/2010 Publicado por | Poema, Poesia & Cia, Preconceito, Discriminação & Cia | , , | 2 Comentários

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.