Viagem Cultural

Dicas e opiniões sobre assuntos diversos.

AS BODAS DE CANÁ

O EVANGELHO DE SÃO JOÃO.

“BODAS DE CANÁ”

  

O sinal realizado por Jesus em Caná, anuncia a substituição da Antiga Aliança, ou uma mudança nas instituições, fundada na lei mosáica, pela Nova Aliança, baseada no amor leal de Deus, cujo símbolo será o vinho oferecido por Jesus.

A maioria das pessoas coloca o episódio de Caná como sendo o primeiro milagre  de Senhor Jesus, na transformação da água em vinho. No entanto, o que se vê nessas bodas é que João não se limita a narrar um fato do qual ele tenha participado ou presenciado. João dá uma interpretação simbólica e espiritual sobre o ocorrido e cria uma sequência cronológica para que as bodas se dê no sexto dia, ou seja:

Primeiro dia: João faz sua declaração perante a comissão enviada pelas autoridades judaicas –  1:19 ( as atividades de Jesus chamavam a atenção das autoridades judaicas);               

Segundo dia: João pronuncia solene testemunho sobre a missão do que vem – 1:29-34;

Terceiro dia:  Última declaração de João e a adesão dos primeiros discípulos a Jesus –  1:35-42

Quarto dia : Jesus decide sair para a Galiléia, chama Felipe, e dá-se o encontro com Natanael – 1:43-51 “Ao terceiro dia” – “Depois de amanhã”

Naquele tempo não havia a palavra “depois de amanhã”. Toda vez que se quisesse se referir ao “depois de amanhã”, usava-se a palavra ao terceiro dia (Ex.:19:10,11,15,16 ).

O sexto dia, segundo o relato das origens, fora o da criação do homem – Gen.1:26-31.  João cria, assim, o simbolismo temporal para indicar que tanto a atividade como a morte de Jesus, são continuação e término da obra criadora de Deus. Em 11:55, anuncia-se a última Páscoa, e em 12:1, abre-se outro período de seis dias antes da Páscoa, que culminará com a morte de Jesus, colocado por este dado cronológico, também no sexto dia, dia dos preparativos, véspera da Páscoa – 19:31-42.

A partir da entrada triunfal (12:12), todos os acontecimentos envolvendo Jesus, até à sua morte, acontecem na sua última semana (um terço dos Evangelhos relatam a morte de Jesus). Apesar da declaração de Gênesis 2:2 ( Deus concluiu no sétimo dia toda a sua obra e descansou), a criação ainda não estava terminada, pois o homem não havia   chegado à sua plenitude (brilho, glória) nem, portanto, à condição de filho de Deus.  Por isso Jesus não reconhecerá o sábado, dia do descanso divino, continua o sexto dia e o Pai continua trabalhando (5:17). A obra do Pai estará terminada quando Jesus, no final do sexto dia, declarar na cruz: “Está tudo consumado”, e entregar o espírito, dando aos homens a possibilidade de nascer de novo e fazer-se filhos de Deus, objetivo do projeto criador. Este simbolismo, visto por João, mostra que Jesus remata a ação criadora.

O sexto dia começa em Caná, entrará em sua hora final com a segunda série de seis dias – 12: 1, conforme 2:4; 12:23 – para culminar com a sua morte.  Portanto, o sexto dia, o da morte de Jesus será, ao mesmo tempo, o dia da nova aliança, da criação terminada, e da ressurreição.  A nova aliança na qual o Espírito substituirá a Lei, consistirá na formação da nova comunidade humana, a dos homens acabados pelo Espírito e que por isso gozarão da vida eterna  ( ressurreição )

 

 

As núpcias

                                              

2:1- Como se sabe, as núpcias eram símbolo da aliança, onde Deus aparecia como esposo do povo.  No Velho Testamento há varias passagens mostrando Deus como marido (Is.54:5; Os.2:7,16; Jr.3:14; Ap.21:2).  Estas núpcias anônimas, onde nem o esposo e nem a esposa tem rosto, nem voz, é figura e símbolo da Antiga Aliança; é nesta que Jesus se apresentará. (Era comum, naquela época as festividades de casamento durarem cerca da sete dias, e esta, pela qualidade do vinho já estava no fim).

A mãe de Jesus é apresentada sem nome próprio; só por sua relação com Ele.  Ela pertence às núpcias, ou seja, à Antiga Aliança, à Lei, mesmo porque ela já se encontrava presente quando Jesus e seus discípulos chegaram – “ela estava ali”.  Nota-se um paralelismo de expressões: “estava ali a mãe de Jesus”(2:1) e estavam ali colocadas seis talhas de pedra (2:6), significando que tanto a mãe, como as talhas, situam-se no marco da Antiga Aliança. No início a mãe é a única personagem das núpcias que tem destaque, que tem relevo. Todos os outros são figuras de pano de fundo anônimo.

2:2 – Jesus entrará em cena pela primeira vez à frente de um grupo de discípulos. Nas narrativas anteriores Ele ocupava o primeiro plano. Os personagens centrais tinham sido João e os homens, que de uma forma ou outra, entravam em contato com Jesus. Tudo tinha sido apresentação e preparação.

Agora começa o dia da atividade: O Messias esperando entrar na antiga Aliança, mas como convidado, como hóspede; não pertence a ela, como também os seus discípulos, que formam grupo com Ele. A mãe vive dentro da aliança antiga, Jesus e os seus discípulos não. É a presença de Jesus que vai colocar a cena em movimento.

2:3 – O vinho, indispensável nas núpcias como sinal de alegria, simboliza o amor entre o esposo e a esposa, como mostra claramente em Cântico dos Cânticos 1:2;7:9,12;8:2; Salmos 104:15. Nestas núpcias não existe relação de amor entre Deus e o povo. Na falta de vinho/amor intervém a mãe de Jesus que apenas se limite a informá-lo, sem formular qualquer pedido claro, explícito. Ela que por um lado é membro das núpcias tem estreito vínculo com Jesus, o convidado. Recorde-se que a mãe não o chama de filho , e Jesus , por sua vez, também não a chama de mãe. Entre Jesus e ela existe somente relação de origem – Israel/ Messias – nem de dependência, nem sequer de familiaridade. Por outro lado, ela não pretende ter direito algum sobre Jesus, nem lhe faz nenhum pedido, e Ele, por sua vez, não se reconhece dependente dela, daí chamá-la de “mulher”, não de mãe. Ela que pertence à antiga aliança reconhece o Messias e espera Nele. Ela personifica os israelitas que conservam a fidelidade a Deus e a esperança em suas promessas. A mãe é a figura feminina que corresponde a masculina de Natanael, o verdadeiro israelita, o qual representava o Israel fiel. Por ser figura feminina ela serve para conotar a origem do Messias, o rebento que nasce do verdadeiro Israel em quem se cumprirão as promessas divinas.

            Ao reconhecer o Messias, aviva sua esperança e mostra-lhe a carência. “Eles não têm vinho”. O verdadeiro Israel vê a insuficiência e a tristeza da situação em que se acha e a expõe ao Messias. Ainda pertencendo às núpcias, distancia-se dela ao dizer: “não tem”; ao invés de “não temos”. Sabe o que falta a Israel, confia em Jesus, mas não sabe o que Ele fará. Por saber que não há nada a esperar da antiga aliança, ela não se dirige ao chefe do banquete, ao mestre-sala, encarregado das provisões e responsável pela falta do vinho. Só o Messias pode dar a solução.

2:4 Ao dizer “mulher” ou “Israel”, que tenho Eu contigo, Jesus lhe faz compreender que aquela aliança caducou e não será revitalizada e que a Sua obra, Sua atividade a partir de agora não se apoiará nas antigas instituições, na velha aliança, que fundamentada na lei não será integrada na nova. Jesus se distanciará constantemente da lei mosaica que em seus lábios será sempre “Lei deles”, e não Sua (7:19;8:17;10:34;15:25). A mãe/Israel espera que o Messias olhe ainda para trás pensando que a obra de Jesus esteja vinculada ao passado, mas Jesus lhe explica que não existe tal dependência. Nem a Ele, nem a ela cabe intervir na aliança sem vida. Jesus adverte que a novidade radical que Ele traz estará ligada a momento futuro, isto é, quando chegar a “Sua hora”, que será a da Sua morte, mas adverte que a realização não será imediata. Há várias menções de Jesus referentes à Sua hora (7:30;8:20;12:23;17:1)

2:5 – Aparecem agora novos personagens: os serventes. A mãe do Messias lhes diz que se ponham a inteira disposição Dele. Desconhece os planos de Jesus, mas afirma que se deve acatar qualquer ordem Sua. Há um simbolismo na ordem dada aos serventes pela mãe de Jesus. Sua frase refere-se ao que pronunciou o povo no Sinai onde se comprometeu a cumprir tudo que Deus lhe mandasse (Ex. 19:8;24:3,7). A mãe/Israel que foi fiel àquele compromisso, entende agora, que a antiga aliança foi extinta e pede aos serventes, ou seja, aos que colaboram com o Messias, que dêem sua fidelidade à aliança nova que Ele promulgará.

2::6 – O versículo seis refere-se a seis talhas de pedra destinadas à purificação. A descrição é minuciosa: precisa o seu número (seis), o material de que eram feitas (pedra) e sua capacidade (mais ou menos oitenta a cem litros cada uma). Essas talhas se destinavam à purificação, a chamada ablução. Havia quatro tipos de ablução ou lavagem com água e que se tornou um rito. Havia a lavagem das mãos, dos pés, do corpo inteiro e a lavagem de objetos e outros utensílios usados na prática religiosa..

            A expressão “estavam ali postas”, ou “colocadas”, destaca a sua estaticidade ou fixidez. Coloca-se no centro da frase para dar-lhe todo destaque. As talhas enormes ocupando o centro do episódio, o dominam: elas presidem as núpcias/aliança. O designativo de “pedra” lembra de imediato as tábuas ou lousas de pedra em que foi escrita a lei, os dez mandamentos. Essas talhas representam a lei de Moisés, código da antiga aliança. Recorda, também, o texto de Ezequiel 36:26 “… e tirarei o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. Lei de pedra, sem amor. A purificação era conceito que dominava a lei antiga, e criava com Deus relação difícil e frágil mediada pelos ritos. A necessidade contínua de purificação revela um Deus que rejeita o homem por qualquer motivo, além do que, a purificação procedia da consciência de impureza, ou seja, de indignidade criada pela própria lei, pois através dela não se percebia o seu amor. A lei propõe a imagem de um Deus impositivo, zeloso, guardião de sua distância com referência ao povo e ao indivíduo. Nestas condições, segundo a lei, Deus está continuamente afastando o homem de Si, e conseqüentemente, o homem se sente sempre indigno, submetido a esforço constante de reconciliação com Ele, daí não poder existir amor.

            Não há manifestação do amor de Deus ao homem nem este se sente unido a Deus por vínculo do amor, mas de temor e dependência. Então, a lei não é mediação, mas obstáculo. É ela, portanto que faz faltar o vinho ou o amor nestas núpcias/aliança. Era o sacerdócio o mediador da purificação legal (Lev. Cap 12 a 16). A purificação, que se apoiava na consciência do pecado criada pela lei, era instrumento de poder nas mãos dos dirigentes, com que mantinham o povo submetido (5:10). Seguindo a ordem de Jesus, as talhas terão que ser enchidas. O aparato purificatório está vazio. As purificações, prescritas pela lei, eram só aparentes e, por isso mesmo, inúteis e ineficazes, não eram realmente meios para restaurar a relação com Deus. É a lei, portanto, que produz a tristeza da antiga aliança, onde falta o vinho do amor. O primeiro sinal que Jesus realizará como novo esposo será  a mudança de aliança, e o fará oferecendo amostra de seu vinho.

2:7 – Por indicação da mãe, Jesus dirige-se aos serventes, que estão dispostos a executar o que Ele disser. O Messias, cuja hora ainda não chegou, mostrará a Israel qual será o efeito de sua missão e o resultado de sua obra, de seu ministério. Jesus sabe que as talhas estão vazias e faz com que os serventes tomem conhecimento desse fato. Da-lhes ordem que pede sua colaboração no que irá fazer e eles a executam com zelo e obediência, sem nenhuma contestação e enchem até em cima.

            Ao mandar encher as talhas de água, Jesus indica que Ele oferecerá a verdadeira purificação e que ela não dependerá de nenhuma lei, porque as talhas jamais conterão o vinho que Ele oferece. Jesus manda que encham as talhas somente para dar a compreender que o que na antiga aliança era ficção agora será realidade, mas independente da lei antiga. A lei não podia purificar, mas Jesus sim; não o fará, porém, com água externa, e sim com o vinho que penetra no homem, o amor de Deus, o Espírito Santo. Sua purificação será tão eficaz que não precisará ser mais repetida (13:10;15:3). A lei se interpunha entre o homem e Deus. De agora em diante não haverá mais intermediário; o vinho que é o amor, estabelecerá relação pessoal e imediata, ai sim, existirá a alegria (15:11)

2:8 – Jesus então, dá uma segunda ordem. O mestre-sala era o encarregado e responsável pela organização e andamento do banquete, mas não estava informado da falta de vinho. O chefe do banquete representa a classe dirigente: os judeus. Os chefes se despreocupam com a situação do povo, como os governantes atuais. Eles dirigem o sistema religioso e somente o povo fiel é que sente que a situação deles é insustentável. Evidentemente, se houve falta de vinho nessas núpcias, é porque haviam outras pessoas que lá estavam e que não são mencionadas nessa narrativa de João, e que são parte do povo sofrido.

2:9 – A água converteu-se em vinho depois de ter sido tirada das talhas, não nelas. O mestre-sala, que prova o vinho não reconhece o dom messiânico. Os serventes, sim, pois sabem que o vinho oferecido procede da ação de Jesus. O vinho simboliza o amor, como já foi mostrado no livro de Cantares.  O que Jesus oferece significa, portanto, a relação de amor entre Deus e o homem que se estabelece na nova aliança, relação direta e pessoal, sem intermediário. O amor, como dom, é o Espírito e é ele quem purifica (1:16,17). A cena, o episódio de Caná, anuncia a cruz, a sua hora. É lá que se manifestará até o extremo o amor de Deus ao homem e se ofertará a todos o Espírito, simbolizado aqui pelo vinho, significa a alegria que produz a experiência do amor, própria da nova aliança (15:11;16:22,24;17:13). O vinho do Espírito cria no homem o “amor leal”, que constitui sua nova condição. Esta será a lei da nova aliança, não código exterior, como a antiga, mas vinho que penetra no interior do homem e o transforma, é a lei escrita no coração (Jer 31:33). Ao ser o espírito que termina a criação do homem (3:6), unem-se desde o princípio da atividade de Jesus as duas linhas mestras da temática de João: a aliança e a obra criadora, que serão realizadas na cruz, a “hora de Jesus” (19:30). Este é o vinho que se oferece aos dirigentes judeus (o mestre-sala), mas eles não o reconhecem. No entanto, Jesus não se oporá a eles com violência, mas lhes dará a oportunidade de corrigir-se (2:16) reconhecendo que o vinho antigo e a sua própria posição caducaram. Dalí para frente só prevalecerá o vinho novo, a nova aliança.

2:9 e 10 – O mestre sala dirige-se ao noivo e observa duas coisas: a superioridade do vinho novo e a surpresa de que o novo seja melhor do que o antigo. É que o plano de Deus seguira linha ascendente; o Messias teria de inaugurar uma era incomparável superior a antiga. A verdadeira núpcias, com alegria plena, começará com Jesus, o verdadeiro esposo (3:29). O mestre sala, por seu lado, reconhece um tempo presente – até agora – em que a situação é diferente, sem contudo,  referir a presença de Jesus nem suspeitar da mudança de aliança que prefigura este vinho. Discorda contra a ordem em que se dão os vinhos; primeiro deve ser o melhor. Não se dá conta da progressão do plano de Deus, nem entende que o melhor possa vir depois. Para ele a situação anterior já era definitiva. Constata que o vinho que lhe oferecem é de melhor qualidade e acha explicação para isso. Não compreende, sequer por um momento, que o antigo já foi superado, por isso pensa conhecer a procedência do vinho: a despensa do esposo, quando diz: “tu guardaste até agora”, como se este vinho fora destinado desde o início às núpcias que ele dirige. Não compreende que o vinho é de outra ordem, que anuncia situação nova e o fim das núpcias presentes, ou seja, não reconhece a presença do Messias. O que o mestre-sala recebe e não compreende nem aceita, é apenas amostra do que será realidade na cruz, no momento em que terminada a obra criadora será inaugurada a nova aliança (19:30).

 

 

As personagens das núpcias

 

1) A mãe de Jesus se contrapõe ao mestre-sala. Ela representa Israel (a figueira sem fruto)que reconheceu o Messias. Definida por sua relação, de quem é origem, está aberta ao futuro as promessas de Deus. Será na cruz que ele se dirigirá pela primeira vez a sua mãe, e onde ela, figura do Israel fiel, ficará integrada na nova comunidade (19:26,27),

2) O mestre-sala representa os judeus que não O esperam nem Dele tem necessidade, nem sabem apreciar a novidade do dom messiânico. Israel (a mãe) experimenta a carência e espera a mudança, os dirigentes judeus (o mestre-sala) estranham que algo possa mudar; considera definitivo o regime que eles dominam e mantêm oficialmente a aliança, mas vazia de conteúdo. São responsáveis pela situação deixando de ser expressão do amor de Deus ao seu povo. O mestre-sala define-se por sua relação com as núpcias existentes, encerrado em tradição sem horizonte de futuro.

3) Os serventes que colocam à disposição de Jesus e executam suas ordens, e incluindo os seus discípulos, designam todos que se prestam a colaborar na obra do Messias (12:26)

4) As talhas (a lei), colocadas no centro do episódio, separam as duas categorias de pessoas e as duas atitudes – sua mãe, o mestre-sala e os serventes, que pertencem à velha aliança; os discípulos de Jesus, pertencentes agora a nova aliança, relação de amor entre Deus e os homens. Assim desde a morte e ressurreição do Senhor Jesus estamos na Nova aliança.

 

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            O nome Caná, relacionado com o verbo hebraico ganah (adquirir, criar), talvez tenha sido escolhido por João para se referir ao povo adquirido, criado por Deus.

 

 

Bibliografia: O Evangelho de São João – J. Mateus – J. Barreto

Edições Paulinas

Domingos Alves Carneiro

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17/10/2009 - Posted by | Religião |

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