Viagem Cultural

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A NOVA PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA

Quando falamos de perseguição religiosa a lembrança da inquisição católica é a primeira coisa que nos vem a cabeça. Esse foi um dos piores momentos da história da humanidade, onde milhares de inocentes foram mortos pela igreja católica em “nome de Deus”.

Mas se engana quem pensa que a inquisição acabou na Idade Média. Se houve um decreto do papa Gregório IX em 20 de abril de 1233 oficializando o início da inquisição (ela já existia de forma não oficial desde 1183), nunca houve um decreto colocando fim a ela, muito pelo contrário: o órgão responsável dentro da igreja católica pela inquisição é a Congregação para a Doutrina da Fé, e o cardeal Joseph Alois Ratzinger foi responsável por esse órgão desde 1981 até 2005, quando se tornou o papa Bento XVI.

A guerra santa e a perseguição religiosa ainda ocorrem nos dias de hoje, só que agora não é promovida somente pela religião católica. E impor medo é a maior arma usada para manter o controle dos fiéis dentro de uma religião para não deixar que ele procure outra fé.

O pastor evangélico Yousef Nadarkhani foi preso no Irã em outubro de 2009 sob a acusação de apostasia. O evangelismo e conversão de muçulmanos ao cristianismo é proibido por lei naquele país, e Nadarkhani foi condenado a morte por enforcamento. Ele ainda pode ser absolvido se negar o cristianismo e se converter ao Islã. Não ser muçulmano passou a ser crime com pena de morte.

Em 2009 uma menina de 9 anos foi estuprada por seu padrasto e engravidou de gêmeos, em Pernambuco. Foi autorizada a fazer o aborto e recebeu o apoio de diversas ONG’s. Porem o arcebispo católico de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho,  excomungou a menina, os médicos envolvidos e os integrantes das ONG’s que apoiaram. O padrasto estuprador não. A vítima foi condenada e o criminoso inocentado. Seria a mesma coisa que condenar os judeus pelo holocausto e absolver os nazistas.

No meio evangélico a perseguição é feita de forma psicológica. Se uma pessoa não é evangélica, ou ás vezes, não pertence a mesma igreja, ela é tratada de forma inferior. Se discordar de alguma coisa ou tem um ponto de vista diferente de sua religião é porque “não é de Deus e não entende”. Em algumas igrejas evangélicas é proibido interpretar a bíblia sozinho e ter opinião própria.  Provavelmente esse seja o motivo de ter aumentado o número de evangélicos que não frequentam nenhuma igreja, segundo uma pesquisa da revista Isto é, Lutero hoje seria condenado pelos próprios evangélicos.

De forma generalizada um fato ocorre normalmente em quase todas as religiões: se uma pessoa está passando por algum problema sério, esse problema acontece porque a pessoa não aceitou se converter para tal religião, pois somente a conversão seria a solução para todos os seus problemas. Se conclui que uma pessoa religiosa não tem nenhum problema.

Já trabalhei em uma empresa onde o critério para demissão de funcionários era a religião.

A sociedade está tão acostumada com esse tipo de discriminação que nem se importa quando ela acontece.

Mas o catolicismo ainda goza de alguns privilégios.

Na França as mulheres muçulmanas não podem usar o véu que cobre o seu rosto, mas um católico pode usar o seu crucifixo em qualquer lugar sem ser incomodado.

Em repartições públicas símbolos do cristianismo católico, como imagens de santos, são usados sem nenhum problema, mas se uma imagem de outra religião, como Iemanjá, por exemplo, fosse colocada no local certamente causará indignação e teria de ser retirada.

O catolicismo é a única religião que possui datas comemorativas no calendário de um país que se declara laico. Temos a páscoa católica, dia de todos os santos, a data do natal instituída pela igreja e principalmente o dia da “padroeira do Brasil”.

Aliás, essa data merece um comentário especial sobre um caso que ficou conhecido como o “chute na santa”. No dia 12 de outubro de 1995, durante um programa de televisão, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Sérgio von Helder chutou uma imagem de uma santa católica e proferiu as seguintes palavras: “… nós estamos mostrando às pessoas que isso aqui não funciona, isso aqui não é santo coisa nenhuma … Será que Deus, o Criador do universo, pode ser comparado a um boneco desse, tão feio, tão horrível, tão desgraçado?

Von Helder foi condenado a dois anos de reclusão, com direito a suspensão condicional de pena, por incitar o preconceito religioso. Esse talvez seja um caso único no país de alguém ser condenado por crime contra uma outra religião. Mais um privilégio da igreja católica.

Pode-se concluir que não importa qual seja a religião do outro. Se ela não é igual a minha ela é heresia e quem a pratica esta blasfemando. Como se Deus precisasse de “justiceiros”.

Pior que apesar de tanta violência cometida em nome da fé, no final todos dizem que pregam o amor de Deus.

No mínimo falta coerência.

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16/04/2012 - Posted by | Religião

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