Viagem Cultural

Dicas e opiniões sobre assuntos diversos.

CASAMENTO GAY

casamentogay

O casamento gay tem sido um dos assuntos mais comentados no Brasil nos últimos meses. De um lado os que são a favor, incluindo diversas personalidades do mundo artístico; e de outro lado os contrários, formado principalmente por lideres religiosos.

O grande problema é que esses grupos estão discutindo sobre dois pontos de vista diferentes: o civil e o religioso.

O Brasil já reconhece a união estável entre indivíduos do mesmo sexo mas ainda não celebra casamentos entre homossexuais. Existem muitas diferenças entre a união estável e o casamento.

Para o casamento é necessário que ele seja formalizado por um juiz de paz, ou juiz de direito. Na união estável basta somente que duas pessoas passem a viver juntas formando uma unidade familiar. Para a extinção de um casamento também é necessário as formalidades. Já na união estável só é necessário que os indivíduos deixem de viverem juntos. No caso de uma separação ou extinção por morte, no casamento existe a divisão seja total ou parcial dos bens. No caso da união estável esse direito inexiste.

Outro benefício importante que só o casamento concede é a mudança do estado civil. Quem vive sob o regime de união estável continua com o estado civil de solteiro.

E é justamento por conta de todos esses direitos que os os homossexuais querem o reconhecimento do casamento e não somente da união estável.

O lado contrário, que não quer que o casamento homossexual seja reconhecido, é formado principalmente por grupos religiosos que baseia suas convicções na própria religião.

É sempre bom lembrar que muitos casais homossexuais já vivem juntos, e dividem o mesmo teto dá mesma forma que os casais heterossexuais, e o reconhecimento do casamento homossexual não irá mudar isso, só irá garantir os direitos que eles reivindicam.

Mas infelizmente essa discussão acabou saindo do âmbito político e virando uma discussão religiosa.

Depois de tantos anos e tantas experiências negativas a humanidade ainda não percebeu que sempre que a religião tenta resolver suas convicções pela imposição, milhares de pessoas acabam sendo mortas e nenhum resultado prático acaba sendo conseguido.

No passado as Cruzadas foram criadas para “libertar” a Terra Santa das mãos do muçulmanos. O saldo final foi de milhares de pessoas mortas, tanto cristãos quanto muçulmanos, incluindo crianças.

O mesmo ocorreu com a inquisição, onde a igreja não admitia que ninguém não fosse cristão. Milhares de pessoas foram mortas durantes séculos em nome da religião. Hoje o que vemos na Europa mostra que essa  intromissão da igreja foi mais prejudicial para ela própria do que para qualquer outra grupo religioso: a maioria dos países europeus não tem o catolicismo como sua principal religião.

Ser contra o casamento homossexual somente por causa de uma convicção religiosa não parece ser um bom argumento para que ele não seja aprovado. Apesar de todo tratamento privilegiado que a igreja católica possui, devemos lembrar que o Brasil é um país laico e a religião não deve ser levada em conta para se aprovar ou não o casamento homossexual.

O que chama a atenção não é a posição da igreja em relação a esse assunto, já que era esperado que tanto os católicos como os evangélicos fossem contrários. O que chama a atenção é que os líderes religiosos que se levantam com veemência para colocar suas opiniões em evidência, nunca sequer levantaram sua voz para tentar a ajudar problemas muito mais importantes.

Os mesmos líderes que hoje se incomodam em ver duas pessoas do mesmo sexo de mãos dadas na rua, não se incomodam em ver diversas mulheres se prostituindo – inclusive crianças – muitas vezes bem próximo de seus suntuosos templos. Hoje eles vão ao congresso fazerem pressão para que duas pessoas do mesmo sexo não se casem, mas nunca tomaram a mesma atitude para que a pedofilia fosse considerada um crime hediondo ou inafiançável. Crime esse que muitas vezes são cometidos pelos próprios líderes religiosos.

Muitos sentem-se ofendidos ao verem dois homens ou duas mulheres se beijando, mas sua fé não se abala quando uma mulher é agredida covardemente por seu parceiro. Não se ofendem ao verem tantas e tantas pessoas morando nas ruas por não terem para onde ir. Sua fé não é capaz de fazer algo para impedir que milhares de brasileiros vão para suas camas sem terem comido sequer um prato de comida durante todo o dia.

Já vi muitos grupos religiosos fazerem trabalhos de evangelização em lugares como a cracolândia em São Paulo, baixada fluminense no Rio de Janeiro, casas de detenção, favelas, hospitais, etc, porém inexplicavelmente jamais vi algum desses líderes nesse tipo de trabalho. Talvez porque eles devam estar ocupados cuidando de suas belas casas, jatinhos ou iates. Ou viajando para Brasilia para evitar que o casamento homossexual seja aprovando, enquanto os seus fiéis andam a pé por ruas escuras e perigosas para chegarem a igreja, onde esses mesmos líderes chegarão em seus carros importados e sequer darão a mão para esse fiel no final da reunião.

Esses líderes que não toleram o homossexualismo não se incomodam em permitir que políticos, muitas vezes corruptos, sentem-se com eles junto ao púlpito da igreja.

Se consideram chamados para essa liderança, mas na primeira oportunidade abandonam suas ovelhas para se tornarem vereadores, deputados ou senadores. Para esses pseudo líderes eu digo o mesmo que muitos brasileiros já disseram: vocês não me representam, nem como cristão e nem como político.

E para não ficar em cima do muro também vou me posicionar sobre o casamento gay. Casem-se e adquiram o direito civil que tanto anseiam. Qualquer forma de discriminação deve ser reprimida. Acho justo que uma pessoa não seja discriminada por causa de sua fé assim como por causa de sua opção sexual

Anúncios

03/05/2013 Posted by | Preconceito | , | 2 Comentários

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Embora seja um feriado nacional, muitas pessoas não sabem que em 20 de novembro é comemorado o Dia Da Consciência Negra. Morre degolado nesta data, no ano de 1695 – Zumbi Dos Palmares, o maior símbolo de resistência e luta contra a escravidão no Brasil. O principal objetivo é conscientizar as pessoas sobre a necessidade de inclusão do negro na sociedade. Essa forma de “reparo” é a mesma dada para as minorias que de uma forma ou de outra são ou foram discriminadas ou excluídas. Por isso, temos o Dia do Índio e o Dia Internacional da Mulher, por exemplo.

Mas infelizmente isso não resolve o problema dos negros no Brasil, pois apesar da escravidão ter sido abolida há mais de 120 anos (13 de maio de 1888 – Lei Áurea), ainda somos vítimas da discriminação. E ela é tão sútil, que na maioria das vezes nem nos damos conta de que ela existe.

Há pouco tempo atrás uma amiga me perguntou se eu já fui vítima de discriminação, e ela me disse que nunca havia sido. Certamente ela nem reparou que foi discriminada várias vezes,  não notou, pois nos acostumamos a sermos tratados de forma diferente e achamos isso normal.

Por exemplo, achamos natural um negro ser barrado nas portas giratórias de bancos, a polícia parar pessoas negras por serem suspeitas. Pior ainda, quando uma mulher negra está em um transporte público, poucas pessoas ou ninguém lhe cede o lugar, até mesmo quando ela é idosa, mas quando se trata de uma moça branca, não faltam bons samaritanos.

Aos atores negros quase sempre são destinados papéis de pessoas humildes, sem instrução, “problemáticas”, além dos papéis clássicos de bandidos, favelados, empregadas domésticas ou só quando são contratados para fazerem papel de escravos em novelas de época, filmes ou seriados. Quanto as mulheres jovens e bonitas, geralmente a mídia televisiva destina às mesmas papéis pejorativos associando-as com mulheres exageradamente sensuais, com comportamento leviano e a sexualidade aflorada.

O próprio governo brasileiro alimenta essas ideias na mídia porque quando faz propagandas de ordem social para alcançar a população mais carente, utiliza atores negros em casas populares, transporte e hospitais públicos, entre outros.

Eu poderia passar horas e horas escrevendo sobre a discriminação maquiada que existe em nossa sociedade, mas prefiro deixar um vídeo da professora americana Jane Elliott chamado Blue Eyes, onde ela expõe o preconceito e a intolerância nos EUA, país onde o racismo e  a discriminação são mais visíveis a olhos nus. De uma forma diferente e surpreendente ela coloca os brancos (de olhos azuis) numa posição que eles nunca gostariam de estar…na pele de um negro.  O vídeo é longo, mas vale a pena cada segundo porque é um trabalho maravilhoso.

15/11/2011 Posted by | Preconceito | , , , , , | Deixe um comentário

MIA COUTO – CONFERÊNCIA DO ESTORIL/2011

Bom,

Nada mais inseguro do que um escritor numa conferência sobre segurança, um escritor que se sente um pouco solitário porque foi o único convidado nesta e na anterior edição… preciso de um abrigo, preciso de um refúgio… é um texto que vou ler… o presidente tinha dito que eu devia falar espontaneamente… Não sou capaz em sete minutos. Eu escrevi este texto que vou ler e chama-se Murar o Medo.

Murar o Medo

O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinaram a recear os desconhecidos. Na realidade a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos, mas por parentes e conhecidos.Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.

Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território. O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más, propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional. Os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis e Carl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência. O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades.

Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história e, a mais grave dessa longa herança de intervenção externa, é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos. A guerra fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo a oriente e a ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação, precisamos de intervenção com legitimidade divina. O que era ideologia passou a ser crença. O que era política tornou-se religião. O que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: Para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”. Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade, imprevisível.

Vivemos como cidadãos e como espécie em permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo, estas: Por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento? Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilhão e meio de dólares em armamento militar? Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça? Se quisermos resolver e não apenas discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes.

Há uma arma de destruição maciça que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra, essa arma chama-se fome! Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo. Mencionarei ainda uma outra silenciada violência. Em todo o mundo uma em cada três mulheres, foi ou será, vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte do nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.

A nossa indignação, porém é bem menor que o medo! Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade. É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha, a Grande Muralha, que foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar. Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje no mundo um muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Citarei Eduardo Galiano acerca disto, que é o medo global, e dizer: Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras e, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe. Muito obrigado!

10/11/2011 Posted by | Preconceito | , , | 2 Comentários

JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES

Muitos conhecem a história de Oscar Schindler que foi retratada no filme de Steven Spielberg “A lista de Schindler” e no livro de mesmo nome.
Infelizmente, poucos sabem que o Brasil teve duas pessoas, que assim como Schindler, arriscaram suas vidas para salvar judeus do Holocausto: O diplomata Luiz Martins de Souza Dantas e  Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa.

Luiz Martins de Souza Dantas, nascido no Rio de Janeiro em 1876, foi responsável por conceder vistos de entrada no Brasil para judeus que fugiam do Holocausto. Concedeu mais de 500 vistos de forma “irregular”, salvando centenas de vidas.

Souza Dantas ingressou no Ministério das Relações Exteriores com 21 anos e no final de 1922 foi nomeado embaixador do Brasil na França.

No período da II Guerra, o então presidente do Brasil Getúlio Vargas, passou a incentivar a vinda de imigrantes com o objetivo de “melhorar a composição étnica do povo brasileiro” por meio da miscigenação. Portugueses, suecos e outros considerados etnicamente adequados eram bem vindos. Japoneses, judeus e outros indivíduos que não pertenciam a raça branca, não. Havia orientação do governo para que não fossem concedidos vistos nem mesmo temporários para essas raças.

Para as pessoas que fugiam do nazismo (Holocausto), obter um visto de saída da Europa era uma questão de vida ou morte, mas ao mesmo tempo algo muito difícil de conseguir uma vez que quase todos os países mantinham restrições com a entrada de refugiados.

A emissão de vistos cabia aos cônsules, e um embaixador raramente concedia visto, e só o fazia em casos excepcionais, e ainda assim era necessária uma autorização vinda do Rio de Janeiro exigindo documentos quase impossíveis de se conseguir. O objetivo era justamente impedir a concessão de vistos à pessoas “indesejáveis”.

Durante a II Guerra o governo francês se mudou para Vichy e o corpo consular brasileiro acompanhou a mudança saindo de Paris. Ao passar por cidades como Perpignan e Bordeux, Souza Dantas começou a  emitir vistos para estrangeiros, na maioria refugiados. Não seguiu nenhuma regra do governo brasileiro e não informou a origem étnica dos pretendentes. É provável que ele tenha emitido vistos mesmo antes de sua saída de Paris. A ajuda não era somente aos judeus, mas a qualquer grupo que era perseguido pelo nazismo, como os homossexuais e comunistas.

Em 12 de dezembro de 1940, Souza Dantas foi formalmente proibido de emitir vistos, porém há relatos de que refugiados estiveram com o embaixador nos primeiros meses de 1941 e receberam vistos com data retroativa.

Em 1941, o controle de vistos passou a ser incumbência do Ministério da Justiça, e incidentes envolvendo o impedimento de desembarque de refugiados no Brasil acabou por “denunciar” a transgressão de Souza Dantas.

Getúlio Vargas ordenou que se instaurasse um inquérito administrativo contra o embaixador e começou a tratar de sua substituição. Sabendo que iria ser processado, Souza Dantas mandou um telegrama ao Rio de Janeiro: “Lembro que, não havendo aqui consulado, me vi obrigado, sem perder um minuto, a assumir funções consulares para, literalmente, salvar vidas humanas, por motivo da maior catástrofe que sofreu até hoje a humanidade. Fiz o que teria feito, com a nobreza da alma dos brasileiros, o mais frio deles, movido pelos mais elementares sentimentos de piedade cristã”.

Apesar do inquérito ter sido instaurado, quando o Brasil declarou guerra ao Eixo, Getúlio Vargas ordenou o arquivamento do processo.

Em 1942, a Alemanha invadiu a sede da Embaixada do Brasil e Souza Dantas e seus subordinados foram detidos. Em 1944 foram trocados por prisioneiros alemães que eram mantidos no Brasil. Os jornais trataram o embaixador como herói.

Vargas não queria ver um diplomata processado pelo governo em tal situação, e fez com que essas homenagens sumissem da mídia e tratou de manter Souza Dantas fora de evidência. Souza Dantas morreu em Paris em 1954, mesmo ano da morte de Getúlio Vargas.

Entre os judeus salvos por Souza Dantas estava o ator e diretor teatral Zbigniew Ziembinski

Os motivos para que a história de Souza Dantas não fosse conhecida pela maioria dos brasileiros, se deve ao fato de que os que zelaram pela memória “gloriosa” de Vargas sempre evitaram qualquer referência de sua simpatia ao fascismo, e como Souza Dantas não teve filhos (foi casado com uma judia americana chamada Elisa Meyer Stern), também contribuiu para que sua história heróica fosse esquecida.
Sua história foi resgatada pelo professor Fábio Koifman e contada em seu livro “Quixote nas trevas” em 2002.

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, nasceu em Rio Negro, Paraná, no ano de 1908. Em 1930 casou-se com um alemão, mas separou-se cinco anos depois, indo morar na Alemanhã. Falava quatro línguas (português, inglês, francês e alemão) e foi nomeada para trabalhar no consulado brasileiro em Hambrubgo, onde chefiou a seção de passaportes.

Em 1938, Vargas convencido pela propaganda nazista de que judeus eram perigosos, decreta a Cicrular Secreta 1.127 que restringia a entrada de judeus no Brasil. Os vistos para judeus eram dados pelo cônsul e obrigatoriamente deveriam ter um “J” vermelho.

Contrariando as ordens do Itamarti, Aracy criou um jeito de ajudar os judeus. Como despachava diretamente com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre as papeladas para ele assinar, deixando de colocar o “J” vermelho que os identificava. Muitos judeus vinham de outras cidades para que seus vistos pudessem ser emitidos, e era necessário provarem que moravam na região. Aracy também “conseguia” os comprovantes.

O cônsul adjunto era o famoso escritor Guimarães Rosa, que soube do que ela fazia e apoiou sua atitude. Isso contribuiu para que ela intensificasse esse trabalho livrando muitos judeus da morte. Assim como Souza Dantas, Aracy e Guimarães Rosa ficaram sob custódia do governo alemão quando foram rompidas relações diplomáticas entres os dois países, em 1942.
Foram trocados por diplomatas alemães. Casaram-se no México (ambos eram separados e no Brasil não havia ainda divórcio).

Em 1985 Aracy viajou para Jerusalém para inaugurar uma placa comemorativa em um bosque que leva o seu nome. Foi a sua última viagem internacional.

Aracy sofria de Mal de Alzheimer e morreu de causas naturais no dia 3 de março de 2011 em São Paulo, aos 102 anos. Para ela, seu marido ofereceu o seu famoso livro “Grande Sertão: Veredas”.

Israel possui um memorial oficial para lembrar das vítimas do Holocausto, chamado Yad Vashem.
Nesse memorial os não judeus são homenageados com o prêmio “Justos entre as Nações”. Para receber tal honra era necessário três requisitos: arriscar a própria vida, arriscar cargo e posição social, e salvar pessoas.

Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Luiz Martins de Souza Dantas são os únicos brasileiros homenageados como “Justos entre as Nações”.

http://www.quixotenastrevas.com.br

18/03/2011 Posted by | Livros, Preconceito | , , | 3 Comentários

CRASH – NO LIMITE

Sinopse:

Jean Cabot (Sandra Bullock) é a rica e mimada esposa de um promotor, em uma cidade ao sul da Califórnia. Ela tem seu carro de luxo roubado por dois assaltantes negros. O roubo culmina num acidente que acaba por aproximar habitantes de diversas origens étnicas e classes sociais de Los Angeles: um veterano policial racista, um detetive negro e seu irmão traficante de drogas, um bem-sucedido diretor de cinema e sua esposa, e um imigrante iraniano e sua filha.

Além de Sandra Bullock, o elenco conta ainda com Don Cheadle, Matt Dillon, Brendan Fraser, Terrence Howard, Thandie Newton, entre outros.

Esse filme é muito interessante porque aborda temas polêmicos de forma realista e direta, envolve o telespectador porque consegue elencar várias histórias e seus personagens em uma teia intensa de emoções, onde a questão do racismo não se limita em relações sociais conflituosas  entre brancos e negros. A proposta do filme vai muito além…onde racismo e preconceito podem ocorrer em diversas etnias e classes sociais. Nota 10.

01/12/2010 Posted by | Filmes e Documentários, Preconceito | , , , , , , | Deixe um comentário

OLHOS AZUIS (BLUE EYES)

Jane Elliott é uma professora conhecida internacionalmente. Ela expõe o preconceito e a intolerância em um sistema irracional de classes baseada em fatores puramente arbitrários em nossa sociedade. 

 Em resposta ao assassinato de Martin Luther King Jr.(1968), Jane Elliott criou um polêmico e surpreendente exercício para combater o racismo: o “Blue Eyes/Brown Eyes”.  Rotulou os participantes do exercício como superiores ou inferiores com base apenas na cor dos seus olhos e os expõe a experiência de ser uma minoria humilhada, ridicuralizada, incapacitada, inferiorizada e detestada. 

Sem dúvida alguma, esse documentário é extremamente impactante ao telespectador, fico imaginando como foi a experiência para os participantes dos vídeos. Mas, acho que valeu a pena todo esse exercício, porque só quem vive a discriminação, o preconceito e o racismo todos os dias de sua vida é capaz de entender e ter ideia do que a excelente Professora Jane quis propor. Nada mais, do que se colocar no lugar do outro e sentir como é irracional ser tratado como inferior baseando-se em uma característica física ou sei lá o que?!

Fantástico…é assim que eu defino todo esse trabalho desenvolvido pela Professora Jane. Quanto mais ela humilhava e discriminava as pessoas, mais elas se sentiam incapazes, até simples tarefas ou comandos eram difíceis de serem executados, tornavam-se uma verdadeira tortura, porque as pessoas em poucas horas iam murchando e acreditando que realmente eram derrotadas e inferiores. 

http://www.janeelliott.com

06/09/2010 Posted by | Filmes e Documentários, Preconceito | , , , , | Deixe um comentário

PATRIOTISMO

Durante o campeonato mundial de futebol, é muito comum ver bandeiras brasileiras estendidas em carros, casa e prédios. Ruas são enfeitadas e pintadas de verde amarelo. Aliás, essas são as cores mais usadas nessa época.  Porém, assim que termina a participação do Brasil, como num passe de mágica, tudo desaparece.

Em alguns países é muito comum ver bandeiras hasteadas em lugares públicos e até em residências. As pessoas sempre têm em casa algo que simbolize sua nação, “eles sabem separar bem o sentimento político do cívico”. Mesmo que não estejam a favor da administração política, não deixam de prestigiar eventos onde o orgulho nacional é exaltado. Seu amor pela pátria está muito acima de diferenças e divergências políticas.

Já o brasileiro não demonstra ter esse sentimento. Se em um evento público, como o desfile de 7 de Setembro, tem a presença garantida de políticos que não são de sua preferência, normalmente o contrário ocorre com o povo, que evita tal evento e muitas vezes o repudia.

Para saber por que o brasileiro de uma forma geral não é patriota, temos de identificar como ocorreu a formação desse povo. Afinal, quem é o brasileiro? Qual sua origem e sua história ?

Começaremos com os índios, que já viviam aqui antes mesmo dessa terra se chamar Brasil. Os colonizadores portugueses invadiram e exploraram sua terrra, além de dizimarem milhões, introduziram sua cultura como se a deles nunca existesse, “afinal, eles precisavam ser civilizados!”. A nação jamais fez algo por eles, desculpe-me, já estava esquecendo da FUNAI, porque normalmente são os países estrangeiros  que lutam mais pelos seus direitos do que o próprio Brasil. Que ironia…”os donos da terra, hoje vivem em cercadinhos”, demoninadas reservas indígenas.

Temos também os negros, que foram trazidos para cá arrancados de sua terra e afastados de sua família, para serem escravos. Seu maior sonho era voltar para sua pátria, e é outra etnia que não tem motivos nenhum para ter amor pelo Brasil, pelo contrário, mais de 350 anos de escravidão, talvez explique a exclusão social, a discriminação, a maioria da população negra que sobrevive em favelas ou dentro das cadeias, fora o racismo enrustido que existe em nosso país.  

Embora a Independência do Brasil tenha sido de grande valor, esta não provocou rupturas sociais significativas para os brasileiros. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte à D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou. Ironicamente, o próprio povo que nos colonizou, foi quem nos libertou.

Os imigrantes, que em sua maioria vieram para o Brasil por pura necessidade de trabalho no campo ou na cidade, em virtude de guerra em seu país, ou por possuir mão-de-obra especializada (indústria). Não vieram por opção, mas como falta de uma alternativa melhor. Se pudessem não teriam deixado sua terra. Por isso,  ainda guardam amor pela sua pátria mãe. O Brasil será sempre sua segunda nação, jamais a primeira.

Somos todos descendentes dessas etnias, e consequentemente trazemos esses sentimentos implícitos dentro de nós. O motivo de não sermos patriotas é cultural. Não é falta de amor à pátria, mas a conseqüência de uma mistura de povos que tem suas raízes em outra cultura, outra nação. Talvez até por isso, temos o costume de achar que outros povos são melhores do que nós.

Temos orgulho de sermos brasileiros em época de Copa do Mundo de Futebol, pois é uma das poucas vezes que podemos concorrer com outras nações de igual para igual, nesse momento temos a possibilidade de sermos os melhores. O futebol é democrático e nos dá a chance de sermos vencedores, talvez seja esta a maneira que o brasileiro encontrou “para amar a sua Pátria”!

http://www.museudoindio.org.br

http://www.museuafrobrasil.org.br

http://www.memorialdoimigrante.org.br

05/09/2010 Posted by | Preconceito | , , , , , | Deixe um comentário

CASAIS HOMOSSEXUAIS E A ADOÇÃO

O tema citado foi pauta de um programa de televisão. Fiquei muito curiosa e resolvi assistir para entender um pouco mais sobre o assunto.

Ao longo do programa, algumas perguntas foram feitas pela platéia a um casal de homens homossexuais que havia adotado uma menina, vou tentar reproduzir parte do debate o mais fiel que for possível:

1) Vocês não acham que a criança irá sofrer muito preconceito na escola por seus coleguinhas? Sim, achamos. Porém, a criança será educada para respeitar as diferenças e se defender quando necessário, além disso, os gordos, os negros, os pobres, os nordestinos e os deficientes também sofrem preconceito todos os dias nas escolas.

2) Como vocês são um casal homossexual, vocês concordam que a criança quando crescer também terá uma tendência a tornar-se homossexual? Não. Nossos pais são heterossexuais e nunca nos influenciaram ou incentivaram a sermos homossexuais, pelo contrário.

3) Se por ventura vocês se separarem, como ficaria a situação da criança? Será que isso não seria um problema? Seria uma separação amigável. Entraríamos em um consenso para resolver a questão da guarda e respeitaríamos o direito do outro e da criança, pois há afeto mútuo entre nós. Não seria um problema, pelo contrário, vemos que hoje existem muitos casais heterossexuais em que a separação causa um trauma na criança porque muitas vezes, o pai não quer exercer seu dever (financeiro e afetivo)para com os filhos, e há casos onde a mãe não permite aproximação do pai com os filhos, como se isso resolvesse seu desafeto com o mesmo.

4) Como foi o processo de adoção de sua filha? Éramos o 44° casal na escala para adotarmos nossa menina. Todos os 43° casais heterossexuais conheceram a menina e a rejeitaram. Para a criança não houve respeito ao direito dela escolher sua nova família. Uma série de exigências preconceituosas fizeram com que nossa filha não fosse escolhida pelos casais anteriores, as justificativas eram porque a menina era “muito velha”, aos dois anos de idade e também porque ela era parda. Percebemos que os casais anteriores queriam bebês bem novinhos, brancos, de olhos claros, etc…e isso não ocorreu somente com a nossa filha, é uma situação cotidiana que exclui várias crianças a terem um lar, uma família. É muito triste essa situação, não fomos nós, os homossexuais que não cumprimos nosso dever e abandonamos essas crianças, elas foram colocadas para a adoção por casais heterossexuais, os mesmos que agora criam vários empecilhos para adotá-las. Quanta hipocrisia de uma sociedade que não se diz preconceituosa!

Depois dessa…preciso rever meus conceitos!!!

21/08/2010 Posted by | Preconceito | , , , , | 1 Comentário

O INSUSTENTÁVEL PRECONCEITO DO SER

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.
Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
– Recomendo um passeio pelo nosso “Central Park”, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem “farofa” no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar….
De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.
Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os “Paraíba”, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a “cabeça chata”, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.
Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.
Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
“O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor”.
“É ofensivo”, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.
A expressão “pé na cozinha”, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta: “Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra ‘niger’ para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
‘Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe’…que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan ‘black is beautiful’. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém”.
Será que na era Obama vão inventar “Pé na Presidência”, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?
A origem social é outro fator que gera comentários tidos como “inofensivos” , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:
– A minha “criadagem” não entra pelo elevador social !
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, “viado”, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?
Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
– Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
– Só podia ser judeu!
A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia …
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem”.
Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.
A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.
O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorância e alimenta o monstro da maldade.
Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!
Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.
PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos. ..

Rosana Jatobá

Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. Também apresenta a Previsão do Tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo.
Esse texto é parte da série de crônicas sobre Sustentabilidade publicada na CBN

17/08/2010 Posted by | Preconceito | , | 2 Comentários

ESTADO PALESTINO

Muito tem se falado sobre o problema dos palestinos, mas nem todo mundo sabe quem são eles e o que querem.

Para saber mais sobre a Palestina, é necessário entender um pouco sobre a história de Israel, pois a Palestina está situada onde se encontra hoje o Estado de Israel.

A história começa por volta do século XXI a.C. quando Deus diz para um homem chamado Abraão para que ele saia da terra onde ele estava (uma região chamado Ur onde hoje se encontra o Iraque) e vá para a terra que Deus lhe daria e a toda a sua descendência. Essa terra é conhecida como “a terra prometida”, e corresponde a uma área um pouco maior do que é hoje Israel.

 Nessa região também viveu um povo originário da ilha de Creta, chamado Filisteu. Historicamente os judeus e os filisteus eram inimigos.

Quando os babilônicos dominaram a região, tanto os judeus quantos os filisteus foram levados cativos para a Babilônia. Quando os persas dominaram os babilônicos, os judeus voltaram para suas terras, já os filisteus desapareceram. Não se sabe exatamente o que ocorreu com eles.

Alguns séculos mais tarde, foi a vez dos romanos dominarem a região, já conhecida como Judéia. No ano de 135, depois de uma revolta sangrenta contra os romanos, Roma expulsou os judeus de suas terras, e com o objetivo de apagar a memória deles da região, batizaram o local com o nome de seus inimigos histórico: Philistia, ou Filistia (terra dos filisteus).  Daí vem o nome Palestina. Mas é bom lembrar que os palestinos não são descendentes dos filisteus.

Em 1947, quando a ONU votou pela criação do estado de Israel, o brasileiro Oswaldo Aranha preparou um estudo para que se criasse também um estado palestino visando abrigar os árabes da região. Porém a ONU jamais voltou a abordar esse assunto.

Por mais que muitos países falem em ajudar os palestinos, ou que se digam favoráveis a sua causa, nenhuma grande potência ocidental ou árabe jamais se empenhou para a criação de um estado palestino. Suas declarações normalmente são mais com o objetivo de demonstrar sua ira em relação aos judeus, do que em resolver o problema dos palestinos.

Na realidade as grandes potências nunca se importaram em criar um estado judeu. Isso só ocorreu devido à comoção após o holocausto. E da mesma forma não tem interesse nenhum na criação de um estado palestino.  Os palestinos precisam de um lar. Ao invés das nações inimigas de Israel ficarem pensando em sanções contra o povo judeu, deveriam pensar em um modo de solucionar de vez o problema: a criação de um estado palestino. Que o povo palestino possa ter uma nação para chamar de sua, uma pátria para chamar de lar.

Tenho certeza que tanto os israelenses quanto os palestinos tem um mesmo desejo: a paz.

07/06/2010 Posted by | Discriminação & Cia, Preconceito | , , , | Deixe um comentário