Viagem Cultural

Dicas e opiniões sobre assuntos diversos.

A ORIGEM DO NATAL

Arvoredenatal

No dia 25 de dezembro os cristãos comemoram o natal, que segundo a tradição é a data de nascimento de Jesus.

Porém é de conhecimento da maioria das pessoas que essa data é simbólica, pois ninguém sabe a data  de nascimento de Jesus. O que se pode afirmar com certeza, é que Ele não nasceu no mês de dezembro.

Até o ano de seu nascimento é questionável. Provavelmente Jesus nasceu alguns anos antes do que se é comemorado. Sendo assim, o dia, mês e ano de nascimento de Jesus estão errados.

Então porque foi escolhido esse dia e mês para celebrar o seu nascimento?

Essa história começou há mais de 3 mil anos antes do nascimento de Jesus. Nessa época as civilizações tinham o costume de celebrar o solstício de inverno, ou seja, a noite mais longa do ano no hemisfério norte. Esse fenômeno ocorre no final do inverno e depois dessa data o sol fica mais tempo no céu, deixando os dias mais longos. Como viviam basicamente da agricultura, dias longos significavam uma boa colheita.

Na cultura persa eles celebravam o deus do Sol chamado Mitra. O seu nascimento era comemorado no dia 25 de dezembro.

Quando Alexandre, o Grande, conquistou os persas o culto a Mitra se espalhou por seu Império e quando por fim, Roma conquistou as regiões do antigo Império Grego, o culto a Mitra já estava enraizado na cultura do povo.

Em Roma a celebração a Mitra passou a se chamar Festival do Sol Invicto, e fechava outra festa dedicada ao solstício: a Saturnália. Essa festa homenageava Saturno, deus da agricultura, e durava uma semana. Segundo alguns historiadores, nessa época as pessoas comiam e trocavam presentes. Qualquer semelhança com o natal nos dias de hoje não é mera coincidência.

Quando o cristianismo cresceu dentro do Império Romano, a igreja achou por bem comemorar a data de nascimento de Jesus. Como não se sabia que dia Ele nasceu, foram sugeridas algumas datas simbólicas como 6 de janeiro, 25 de março, 10 de abril e 29 de maio, entre outras.

Então um historiador cristão chamado Sextus Julius Africanus, sugeriu que o nascimento de Jesus fosse comemorado no dia 25 de dezembro, coincidindo com o dia do Festival do Sol Invicto. Com isso a Igreja podia agradar os romanos não deixando de participar da festa, e ao mesmo tempo estimular os que não eram cristãos a se converterem.

No ano de 325 o Papa Júlio I decreta que no dia 25 de dezembro deve ser comemorado como o dia do nascimento de Jesus, em substituição a festa do deus sol. Desta forma o natal passa a ser uma comemoração cristã, porém, herdando os costumes pagãos como a troca de presentes e refeições especiais.

A festa pagã passou a ser sagrada.

A Árvore de Natal

Ela também tem origem pagã. Os nórdicos celebravam na mesma data (25 de dezembro) uma festa chamada Yule, nas quais as famílias traziam uma árvore para casa para que os espíritos da natureza tivessem um lugar confortável para ficar durante o inverno. Essa árvore era enfeitada com sinos e as pessoas depositavam presentes aos seus pés para esses espíritos.

As cores que se usam nas festividades Yule são o vermelho, verde, branco e dourado. Tenho certeza que não é coincidência que hoje são as cores que mais usamos para enfeitar diversas coisas no natal. Em quase todas as casas é fácil encontrar uma toalha de mesas nessas cores.

Papai Noel.

No século III vivia na cidade de Myra, na Turquia, um bispo chamado Nicolau. Ele era conhecido por sua generosidade e por fazer o bem às pessoas. Existem muitas lendas a respeito dele. Uma delas diz que uma família onde três moças não tinham dinheiro para pagar um dote para se casar. Então Nicolau jogou um saco de moedas com ouro e prata na casa delas a noite. Por causa dessa e outras lendas foi atribuído a ele a figura do papai noel, o bom velhinho.

Ele foi canonizado pela Igreja Católica um século após sua morte no ano de 350.

No início ele era representado como um bispo católico, com manto vermelho e mitra. Até que em 1863 o cartunista americano Thomas Nast redesenhou o mesmo retirando as características religiosas e deixando ele como conhecemos hoje, com uns quilinhos a mais e a roupa vermelha e branca. Nascia assim o papai noel.

Mas foi em 1931, durante uma campanha publicitária da Coca-Cola, que também usava as cores vermelha e branca, que a figura do papai noel se espalhou pelo mundo, tornando-se o sucesso de marketing que é hoje.

Porém, se agora você está em dúvidas se deve comemorar o natal no dia 25 de dezembro mesmo não sendo essa a data de nascimento de Jesus, não tem problema. Mesmo que fosse escolhida outra data, essa também seria simbólica, já que não se sabe qual data exata do nascimento de Jesus.

Comemorar o aniversário de Jesus não é nenhum pecado como alguns pregam. Nessa época, as pessoas ficam com um espírito mais solícito para boas coisas, ajudam uns aos outros, muitos doam alimentos, fazem a alegria das crianças com brinquedos, enfim, seja da forma que for, acabam fazendo boas ações e deixando pessoas felizes.

E tenho certeza que nosso Deus se alegra com isso.

Mesmo que o aniversariante do dia não seja Ele. Seja o Sol

14/12/2015 Posted by | Religião | , , , , , , , , | 1 Comentário

A INFLUÊNCIA PAGÃ NO CRISTIANISMO

pentagrama

No ano de 312, quando o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo, ele garantiu a liberdade de culto par a nova religião. Ele é considerado por muitos o fundador da igreja católica, e foi ele quem definiu muito de como seria a doutrina da igreja. Para tanto se baseou nas praticas que conhecia: antigos cultos pagãos e o cerimonial da corte imperial

O ato de o clero caminhar aos seus assentos no início da missa enquanto a congregação fica em pé cantando, teve início no século IV e foi copiado do cerimonial imperial. Quando os magistrados romanos entravam na sala da corte os presentes se colocavam em pé e cantavam. Este ato ainda é praticado em muitas igrejas católicas e evangélicas.

O modelo dos templos católicos, conhecido como basílica, veio da cultura grega e era um espaço destinado à realização de grandes assembleias. Constantino escolheu esse modelo de construção, e como era adorador do sol, desenhou as basílicas de modo que os raios solares caíssem sobre o orador.  Elas sempre eram construídas voltadas para o leste, onde nasce o sol, assim como eram os templos gregos e romanos.

No altar das igrejas sempre encontramos a cadeira do bispo, que normalmente é mais confortável que as outras. Na época romana essa cadeira era reservada ao juiz ou ao mestre que iria lecionar alguma matéria. Ao lado dela havia duas fileiras de cadeiras reservadas aos anciãos. Isso ainda acontece nas igrejas cristãs, sejam católicas ou evangélicas, e também são vestígios da cultura pagã.

Outra prática copiada dos rituais ao imperador que foi levada para a igreja por Constantino foi o uso de velas e queima de incenso. Era costume dos imperadores serem recebidos por luzes e especiarias aromáticas. As vestes dos clérigos também foram inspiradas nas roupas dos oficiais romanos.

Mas a prática pagã mais utilizada pelos cristãos ocidentais talvez seja a cerimônia religiosa do casamento. Os historiadores dizem que o casamento como conhecemos hoje surgiu em Roma, mas na Grécia já era costume as pessoas usarem branco em ocasiões especiais como um nascimento ou casamento.

O buque de noiva era uma mistura de alho, ervas aromáticas e grãos. O alho seria para afugentar maus espíritos e os grãos garantiam e as ervas e grãos simbolizavam uma união frutífera. Algumas culturas acreditavam que colocando açúcar no buque, o temperamento da noiva seria “doce”.

O uso do véu de noiva é uma referência a deusa romana Vesta (ou Héstia dos gregos). Vesta era a deusa virgem protetora da casa e família.

A aliança significava uma ligação perfeita do casal. Assim como o círculo da aliança não tem fim e representava para os Egípcios a eternidade, assim como o amor do casal deveria durar para sempre. O uso no dedo anelar da mão esquerda vem dos gregos. Eles acreditavam que por esse dedo passava uma veia que ia direto ao coração. Esse costume ou posteriormente adotado pelos romanos e incorporado às cerimônias cristãs.

Jogar arroz nos noivos é um costume chinês, e significar fartura e fertilidade. Algumas outras culturas jogavam tricô, farinha ou bolo na cabeça da noiva e comiam o resto para terem sorte.

Quanto ao bolo do casamento, os romanos já partiam um bolo sobre a cabeça da noiva para simbolizar fertilidade e abundância.

Mas o mais irônico é que talvez a maior influência pagã seja justamente uma das datas mais importantes para o cristianismo: o natal, onde se comemora o nascimento de Jesus.

Entre os dias 17 e 23 de dezembro, os romanos comemoravam a saturnália, que era um festival em honra ao deus saturno. Nesse período eles faziam banquetes. No dia 25 de dezembro era comemorado o Natalis Solis Invcti, ou nascimento do sol invencível. Essa data foi instituída pelo imperador Aureliano no ano de 273, para celebrar o nascimento de Mitra, deus indiano e persa da luz. O nascimento do sol invencível, já era consagrado também em outros povos pagãos, com seus respectivos deuses equivalentes a Mitra: Ra, deus egípcio; Utu na Babilônia, Surya na índia, Baal deus cananeu e o deus greco-romano Apolo.

Como essas festividades pagãs já estavam enraizadas na cultura popular, o papa Júlio I determinou a substituição da veneração ao deus sol pela comemoração do nascimento de Jesus, “convertendo” assim a festa pagã ao cristianismo

Ou seja, muito daquilo que hoje é considerado “sagrado” dentro do cristianismo, na verdade deriva da cultura pagã, que normalmente é criticada e menosprezada pelos cristãos.

27/06/2011 Posted by | Religião | , , , , , , , , , , , , , , , | 29 Comentários

ALMAS PERFUMADAS

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente
no balanço de uma rede que dança gostoso
numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente
comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente
chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril,
mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava e encontrava
o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos
acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha
que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando
um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia
do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe
que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atração
que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra
que no instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe
como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.

CUIDE BEM DE SEU AMOR, SEJA QUEM FOR!

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

23/12/2010 Posted by | Poema, Poesia & Cia | , , , | 1 Comentário